Ataques híbridos na Europa: ciberameaças a supermercados e ameaças de bomba em voos colocam segurança em alerta
A Europa enfrenta uma onda de ataques híbridos, com ciberataques a sistemas de refrigeração em supermercados e bancos de sangue, além de ameaças de bomba em voos comerciais, gerando preocupação sobre possíveis ligações e escalada de ações disruptivas.
A Europa vive uma situação de incerteza e alerta máximo devido a uma série de ataques híbridos que têm afetado infraestruturas críticas. Nos últimos dias, ciberataques a sistemas de refrigeração em supermercados e bancos de sangue, combinados com ameaças de bomba em voos comerciais, têm colocado em evidência as vulnerabilidades dos sistemas digitais e a capacidade de resposta das autoridades.
Os ciberataques começaram em outubro, quando supermercados na França sofreram falhas nas arcas frigoríficas devido à manipulação remota dos termómetros, aumentando a temperatura e danificando alimentos. O problema repetiu-se em novembro, atingindo não só a França, mas também países como Suécia, Irlanda, Estónia, Bélgica, Luxemburgo e Portugal, onde sete lojas Intermarché foram afetadas. Recentemente, bancos de sangue em França também foram alvo, com hackers a elevar as temperaturas em câmaras frigoríficas que armazenavam produtos vitais. Em todos os casos, os sistemas de alarme permitiram intervenções rápidas, evitando maiores danos.
Em paralelo, uma vaga de ameaças de bomba em voos comerciais tem obrigado a alterações de rotas e aterragens de emergência. Desde outubro, dezenas de voos de companhias como Ryanair, TAP, Scandinavian Airlines (SAS) e Wizz Air receberam alertas anónimos sobre supostos explosivos a bordo. Em Portugal, dois voos da TAP foram alertados pelo FBI sobre possíveis ameaças, tendo sido ativados protocolos de segurança que, no entanto, não resultaram em riscos reais. Na sexta-feira, 6 de novembro, um voo da Ryanair com destino a Roma foi impedido de descolar devido a suspeitas de bomba, que se revelaram falsas.
Embora não haja evidências claras de que os ciberataques e as ameaças de bomba estejam diretamente relacionados, especialistas em cibersegurança e defesa têm expressado preocupação com a escalada destas ações. Alguns grupos pró-Kremlin e suspeitas de envolvimento iraniano têm sido mencionados como possíveis responsáveis, embora não haja confirmação oficial. A Comissão Europeia ativou mecanismos de partilha de informações entre os Estados-membros para coordenar a resposta a estas ameaças, enquanto a União Europeia discute a resiliência das infraestruturas críticas.
O que ainda não se sabe
Apesar das investigações em curso, várias questões permanecem sem resposta. Não se sabe ao certo quem está por trás destes ataques, se há uma coordenação entre os ciberataques e as ameaças de bomba, ou quais são os objetivos finais dos responsáveis. Também não está claro se os ataques visam apenas criar instabilidade social ou se têm um propósito mais estratégico, como minar a confiança nas infraestruturas críticas europeias. Além disso, não se conhecem os motivos específicos por trás das ameaças de bomba, nem se os autores têm ligações a grupos criminosos, estatais ou outros atores geopolíticos.
As autoridades continuam a analisar os casos em conjunto com agências especializadas, como o Centro Nacional de Cibersegurança em Portugal e o FBI nos Estados Unidos. Enquanto isso, a população europeia enfrenta uma sensação de insegurança, com impactos económicos e sociais ainda a serem avaliados.