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Crise no Paraguai: colapso bancário derruba presidente e afeta milhões de cidadãos

O colapso do banco digital Ueno, ligado a interesses do ex-presidente Santiago Peña, provocou uma crise financeira e política no Paraguai, levando à sua destituição, prisão domiciliária e protestos massivos por todo o país. A situação deixou milhões sem acesso aos seus depósitos e questiona a estabilidade do sistema bancário nacional.

Crise no Paraguai: colapso bancário derruba presidente e afeta milhões de cidadãos
Imagem: Al Jazeera

A queda do banco digital Ueno, ocorrida no início de novembro de 2026, desencadeou uma das maiores crises financeiras e políticas do Paraguai em décadas. O banco, que atraiu milhões de clientes — muitos sem acesso a serviços bancários tradicionais — foi intervenido pelo governo, bloqueando o acesso a depósitos de cerca de 3 milhões de pessoas, ou seja, quase 60% da população adulta do país. A situação agravou-se quando o presidente Santiago Peña, que até ao ano anterior detinha ações na empresa que controlava o Ueno, foi destituído por impeachment e colocado sob prisão domiciliária.

A destituição de Peña foi aprovada de forma unânime pelo Senado paraguaio, com 44 dos 45 senadores a votarem a favor. As acusações incluem conflitos de interesse, manipulação de supervisão regulamentar, desvio de fundos públicos e participação num encobrimento institucional envolvendo o banco central. Peña nega qualquer responsabilidade e afirmou, num vídeo, que a sua prioridade era ‘a tranquilidade dos paraguaios que confiaram os seus poupanços ao sistema financeiro’.

O colapso do Ueno não só deixou milhões sem acesso aos seus depósitos, como também afetou setores-chave da economia. Uma aplicação de transporte que dependia do banco teve de encerrar, deixando 3 mil motoristas sem trabalho. Além disso, 32 mil pensionistas ficaram sem receber as suas pensões, e projetos públicos financiados por instituições internacionais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento, ficaram paralisados devido a fundos bloqueados no banco.

A crise gerou protestos em massa por todo o país, com milhares de pessoas a manifestarem nas ruas de Assunção e outras cidades. As autoridades usaram gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar os manifestantes, que exigiam a devolução dos seus poupanços. A situação também teve impacto nos mercados financeiros: os títulos soberanos do Paraguai registaram algumas das maiores perdas entre os mercados emergentes, e a moeda local, o guaraní, desvalorizou face ao dólar.

O novo presidente interino, Pedro Alliana, assumiu o cargo e prometeu compensar os afetados pela crise. No entanto, a investigação continua em curso, estendendo-se a antigos dirigentes do banco central e outros envolvidos no caso. Procuradores acusam Peña de violação de confiança, tráfico de influências e uso de cargos públicos para benefício pessoal, crimes que podem levar a penas de até 10 anos de prisão.

Embora as autoridades tenham começado a devolver depósitos a partir de 10 milhões de guaraníes (cerca de 1.500 dólares), a maioria dos clientes ainda não teve acesso aos seus fundos. O banco central garante que o sistema financeiro está estável, mas a crise deixou marcas profundas na confiança dos cidadãos e na imagem do país.

O que ainda não se sabe

Não se sabe ainda quantos fundos públicos foram efetivamente desviados ou manipulados, nem se haverá uma investigação internacional independente sobre o caso. Também não está claro se os depósitos bloqueados serão integralmente recuperados pelos clientes, nem quais as consequências a longo prazo para a estabilidade económica do Paraguai. Além disso, não há informações sobre o destino dos responsáveis pela supervisão regulamentar do banco, nem se haverá reformas profundas no sistema financeiro para evitar novos colapsos.

FONTES

  1. [Al Jazeera] Paraguay’s Pena under military protection in bank collapse chaos
  2. [CBS News] Paraguay's president under house arrested after bank collapse
  3. [MyJoyOnline] Paraguay’s president impeached and under house arrest after bank collapse
  4. [Newsroom Panama] Santiago Peña of Paraguay Under House Arrest After His Removal as President.

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