Irão executa três homens acusados de ligações aos Estados Unidos e a Israel
As autoridades iranianas aplicaram a pena de morte a três homens condenados por alegados atos de violência e colaboração com governos estrangeiros durante os protestos de janeiro.
As autoridades do Irão executaram no domingo três homens identificados como Hassan Divband, Hamid Kazemi e Reza Zanganeh. Os três indivíduos foram condenados à morte por alegada colaboração com os Estados Unidos, Israel e grupos opositores durante a vaga de protestos antigovernamentais ocorrida no país em janeiro.
Segundo a justiça iraniana, as sentenças de morte foram confirmadas pelo Supremo Tribunal antes de serem executadas. Além das execuções, o tribunal ordenou o confisco dos bens dos três homens. Outros réus julgados no mesmo processo receberam penas de prisão que variam entre os cinco e os dez anos.
As acusações e o julgamento
De acordo com a versão das autoridades iranianas, o grupo foi acusado de realizar ataques armados e atos de destruição na cidade de Karaj, a oeste de Teerão. O sistema judiciário alega que os homens utilizaram armas de fogo, facas, granadas e cocktails Molotov para atacar edifícios governamentais, destruir câmaras de vigilância e danificar uma subestação elétrica, gerando cortes de energia na região.
Hassan Divband, de 30 anos, proprietário de uma oficina de reparação automóvel, foi detido a 11 de janeiro, acusado pelo Ministério da Inteligência de organizar ataques e incitar outros a destruir propriedade pública. Reza Zanganeh, de 27 anos, especialista em mecânica de veículos estrangeiros, foi detido em abril. Pessoas próximas de Zanganeh rejeitaram as acusações de espionagem a favor da agência Mossad, afirmando que as suspeitas derivavam do seu trabalho com automóveis importados e de viagens de negócios ao estrangeiro.
O contexto dos protestos e críticas internacionais
As manifestações no Irão começaram em dezembro, motivadas pelo elevado custo de vida, e intensificaram-se no início de janeiro. As autoridades iranianas registaram mais de três mil mortos, atribuindo os atos de violência a ações orientadas pelo exterior. Em contrapartida, organizações não governamentais estrangeiras avançam com números superiores e sustentam que as forças de segurança iranianas dispararam contra os manifestantes.
Organizações de defesa dos direitos humanos, como a Human Rights Watch, expressam preocupação com a aplicação de legislação aprovada em 2025, que agravou as penas para crimes de espionagem. Estas entidades relatam que muitos processos têm sido baseados em confissões coercivas obtidas sob tortura e em julgamentos sem o devido acesso a representação legal.
O que ainda não se sabe
Não existe verificação independente sobre a validade das provas apresentadas pelas autoridades iranianas, designadamente as alegadas confissões e as imagens de câmaras de vigilância. Além disso, desconhece-se o paradeiro e a situação jurídica atual de vários familiares de Hassan Divband que foram detidos pelas forças de segurança durante as operações de janeiro.
FONTES
- [Times of India] Iran executes 3 men accused of carrying out operations for Israel, US during protests
- [The Hindu] Iran executes three men over armed unrest during January protests
- [Punch] Iran executes three men linked to anti-government protests
- [Arab News] Iran executes three men linked to anti-government protests
- [Times of Israel] Iran executes 3 men accused of carrying out operations for Israel, US during protests
- [Jerusalem Post] Iran executes three men accused of working for Israel, US, taking part in anti-government protests