Pandas gigantes Ping Ping e Fu Shuang estreiam-se no Zoo de Atlanta após acordo de conservação
Dois pandas gigantes emprestados pela China chegaram a Atlanta em setembro e fizeram a sua primeira aparição pública esta sexta-feira, marcando o reinício de um programa de conservação e diplomacia que esteve interrompido desde 2024.
Os pandas gigantes Ping Ping e Fu Shuang, ambos com seis anos de idade, nasceram na Base de Investigação de Criação de Pandas Gigantes de Chengdu, na China. Chegaram a Atlanta, no estado da Geórgia, no final de setembro a bordo de um voo da FedEx apelidado de “Panda Express”, ao abrigo de um acordo de investigação e conservação entre o Jardim Zoológico de Atlanta e a Associação Chinesa de Conservação da Vida Selvagem. Após algumas semanas de adaptação nos bastidores, a dupla fez a sua estreia pública esta sexta-feira, perante centenas de visitantes que lotaram o parque durante todo o dia.
Chegada e adaptação
Ping Ping, o macho, distingue-se pelas olheiras bem definidas, enquanto Fu Shuang, a fêmea, tem a testa mais proeminente. No primeiro dia visível ao público, os animais comeram bambu e relaxaram no novo habitat, que foi renovado propositadamente para a sua chegada. O zoo assegurou também um fornecimento estável de bambu cultivado localmente, aproveitando o clima de Atlanta, semelhante ao de Chengdu. O diretor executivo Raymond King destacou a capacidade única dos pandas para inspirar curiosidade, paixão e alegria, unindo pessoas em todo o mundo.
Diplomacia dos pandas
O regresso dos pandas a Atlanta ocorre depois de o recinto ter ficado vazio em 2024, quando os quatro pandas anteriores regressaram à China, encerrando uma parceria de 25 anos num contexto de relações tensas entre Pequim e Washington. A China utiliza há décadas o empréstimo de pandas como instrumento de “panda diplomacy” — uma forma de poder suave para fomentar laços internacionais. A estreia coincide com apelos de altos funcionários dos EUA para que a China cumpra o acordo comercial de outubro de 2025 entre o presidente Donald Trump e Xi Jinping, que acalmou tensões tarifárias e incluía compras de soja e controlos de exportação de terras raras.
Conservação e futuro
Desde 1999, Atlanta acolheu pandas emprestados pela China, tendo nascido sete crias no zoo — todas já devolvidas a Chengdu. A espécie, antes classificada como “em perigo”, passou a “vulnerável” em 2016, com cerca de 1.800 exemplares na natureza. A China criou mais de 50 reservas, mas a perda de habitat e a caça furtiva persistem como ameaças. Espera-se que Ping Ping e Fu Shuang, nascidos em 2020, possam vir a ser parceiros reprodutivos durante a estadia de dez anos prevista no acordo. Em cativeiro, os pandas vivem tipicamente cerca de 30 anos.
O que ainda não se sabe
Não se sabe se a reprodução em cativeiro será bem-sucedida nem quantas crias poderão nascer nos próximos dez anos. Também não está claro como evoluirão as relações diplomáticas entre os dois países e se eventuais tensões futuras poderão abreviar o empréstimo, como aconteceu no passado. Por fim, desconhece-se o impacto a longo prazo deste programa na conservação da espécie no seu habitat natural na China.
FONTES
- [Notícias ao Minuto] Pandas gigantes Ping Ping e Fu Shuang estreiam-se no Zoo de Atlanta
- [CBS News] Giant pandas Ping Ping and Fu Shuang make long-awaited debut at Zoo Atlanta
- [Free Malaysia Today] China’s giant pandas make public debut at US zoo
- [CNA] China's giant pandas make public debut at US zoo