Trump acena com grande acordo sobre a Europa e gera resistência em Kiev e Bruxelas
Donald Trump sugeriu a possibilidade de um amplo entendimento com Moscovo sobre a guerra e a segurança europeia, mas a União Europeia e Kiev recusam qualquer decisão tomada sem a sua participação.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou recentemente que poderá estar prestes a alcançar um amplo acordo com a Rússia para pôr fim à guerra na Ucrânia. Segundo o líder norte-americano, o entendimento será de grandes dimensões e poderá abranger as dinâmicas de segurança de “toda a Europa”. As declarações surgiram após encontros na Casa Branca que contaram com a presença do emissário russo Kirill Dmitriev e de representantes ucranianos, no âmbito de um evento relativo a uma trégua humanitária em Oleshky.
Frente diplomática e propostas de negociação
Os esforços da administração norte-americana intensificaram-se nas últimas semanas. O enviado especial Jared Kushner revelou que Washington está a trabalhar num enquadramento de segurança europeu mais amplo para tentar garantir uma paz duradoura, prometendo consultar os parceiros europeus. Além disso, estão agendadas negociações trilaterais entre representantes dos Estados Unidos, da Rússia e da Ucrânia para os dias 10 e 11 de novembro, em Abu Dhabi.
Paralelamente, Moscovo propôs a realização de uma cúpula trilateral com Washington e Pequim à margem da reunião da APEC, na China, sem a presença da Ucrânia ou da União Europeia. No terreno, a diplomacia recente inclui o papel da primeira-dama Melania Trump na mediação de um cessar-fogo temporário de seis dias em Oleshky, que permitiu a evacuação de centenas de civis na região de Kherson e se tornou no cessar-fogo mais longo desde o início da invasão em 2022.
Oposição da União Europeia e de Kiev
As sugestões de um entendimento direto entre Washington e Moscovo desencadearam duras reações no continente europeu. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, e o ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia, Radoslaw Sikorski, afirmaram que a arquitetura de segurança da Europa não pode ser renegociada sem a participação direta dos países afetados. Por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andriy Sybiha, e o presidente Volodymyr Zelensky sublinharam que a Ucrânia tem de estar presente em qualquer mesa de negociação sobre o seu futuro.
Face a este cenário, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, garantiu que a escolha de um representante europeu para participar em futuras conversações de paz será discutida na próxima reunião informal do organismo, em Dublin. Já o Kremlin, através do porta-voz Dmitry Peskov, considerou que os países europeus continuam sem conseguir apresentar uma posição comum ou propostas concretas.
O que ainda não se sabe
Ainda não se conhecem os detalhes concretos do acordo referido por Donald Trump nem os termos exatos do quadro de segurança em elaboração pelos Estados Unidos. Não se sabe se a proposta russa de uma reunião trilateral com os EUA e a China em Shenzhen irá concretizar-se nos moldes pretendidos por Moscovo. No plano europeu, continua por definir quem representará a União Europeia nas negociações de paz, assim como o número exato de residentes retirados de Oleshky e os detalhes das rotas utilizadas na evacuação.
FONTES
- [RTP Notícias Mundo] Trump perto de chegar a acordo com Putin sobre a Ucrânia e "toda a Europa"
- [Notícias ao Minuto] Trump prevê acordo "muito grande" sobre Ucrânia e até "toda a Europa"
- [Euronews] UE rejeita "grande" acordo de segurança de Trump com a Rússia e "toda a Europa"
- [Observador] Rússia aponta à Europa com elogios a Trump
- [DW Português] O que a China espera de cúpula com Trump e Putin sobre a Ucrânia?