AMÉRICAS / ECONOMIA

A crise do Ueno Bank e a queda do governo no Paraguai

A intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank provocou um escândalo financeiro e político que culminou na destituição do presidente Santiago Peña e na detenção de responsáveis da autoridade bancária.

A crise do Ueno Bank e a queda do governo no Paraguai
Imagem: Notícias ao Minuto

O encerramento e a intervenção no Ueno Bank por problemas de insolvência desencadearam uma profunda crise política e financeira no Paraguai. A situação levou à destituição e detenção do ex-presidente da República, Santiago Peña, bem como à entrega às autoridades do antigo presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), Carlos Carvallo.

A ligação política e o colapso financeiro

O Ueno Bank, lançado em 2022 pelo Grupo Vázquez a partir da antiga Financiera El Comercio, teve uma expansão rápida no país. Após autorização para operar como banco e com a integração do Visión Banco em 2024, a instituição atingiu cerca de três milhões de clientes, o equivalente a 60% da população adulta paraguaia. Contudo, o BCP decidiu iniciar a resolução da entidade por unanimidade depois de constatar que o seu índice de solvência desceu para menos de 50% do mínimo exigido.

A instituição mantinha fortes ligações ao poder político. Santiago Peña foi acionista do grupo controlador até março de 2025, enquanto Carlos Carvallo dirigiu a entidade antes de assumir o comando do Banco Central em 2023. O Ueno Bank administrava perto de 850 milhões de dólares em recursos públicos, incluindo verbas do Instituto de Previsão Social afetas a aposentadorias, além de depósitos da Administração Nacional de Eletricidade e da entidade binacional de Itaipú.

Processos judiciais e destituição

Na sequência do escândalo, o Senado paraguaio aprovou a destituição de Santiago Peña por mau desempenho de funções, tendo o vice-presidente Pedro Alliana assumido a presidência. Peña foi colocado em detenção preventiva. Já Carlos Carvallo demitiu-se do BCP e entregou-se no Departamento de Investigações da Polícia Nacional, após ser emitido um mandado de captura. O Ministério Público abriu processos contra 27 pessoas por suspeitas de abuso de confiança e pela concessão irregular de empréstimos a empresas ligadas ao grupo proprietário do banco.

Para acautelar as perdas dos depositantes, foi ativado o Fundo de Garantia de Depósitos, que prevê uma cobertura de até 75 salários mínimos por pessoa e por entidade financeira.

Comparação com o caso brasileiro

Especialistas apontam semelhanças entre a crise do Ueno Bank e a do Banco Master no Brasil, devido ao crescimento acelerado apoiado em ativos frágeis, à captação de fundos de previdência pública e à proximidade com agentes políticos e reguladores. No entanto, salientam que a dimensão do Ueno no sistema financeiro paraguaio era proporcionalmente muito superior.

O que ainda não se sabe

Não se sabe qual será o impacto financeiro total a longo prazo para as instituições públicas e fundos de previdência que mantinham recursos depositados na entidade.

Permanece por esclarecer se houve omissão intencional por parte dos órgãos de supervisão do Banco Central perante os sinais de escassez de liquidez do banco.

Não são conhecidos os desfechos judiciais dos processos instaurados e das imputações deduzidas contra os 27 arguidos envolvidos no caso.

FONTES

  1. [Notícias ao Minuto] Banco Central do Paraguai assume controlo de banco ligado ao presidente
  2. [RTP Notícias Mundo] Ex-presidente de Banco Central do Paraguai entrega-se no âmbito do caso Ueno Bank
  3. [BBC News Brasil] Ueno Bank: escândalo que levou à queda do presidente do Paraguai pode ser comparado ao do Banco Master?
  4. [G1 Mundo] Ueno Bank: escândalo que levou à queda do presidente do Paraguai pode ser comparado ao do Banco Master?
  5. [Correio Braziliense] Ueno Bank: escândalo que levou à queda do presidente do Paraguai pode ser comparado ao do Banco Master?
  6. [Infobae] El ex presidente del Banco Central de Paraguay se entregó a la Policía tras el escándalo de Ueno Bank
  7. [Semana] Expresidente del Banco Central de Paraguay se entrega a la Policía tras escándalo financiero: tenía orden de captura

RELACIONADOS