ÁFRICA / ECONOMIA

Aniversário da Marcha Verde coincide com o fim da missão da ONU no Saara Ocidental

Marrocos celebra 51.º aniversário da Marcha Verde enquanto o MINURSO encerra‑se após 35 anos, deixando o futuro do território em aberto.

Aniversário da Marcha Verde coincide com o fim da missão da ONU no Saara Ocidental
Imagem: Africanews

Na sexta‑feira, Marrocos comemorou o 51.º aniversário da Marcha Verde de 1975, a mobilização que facilitou a ocupação da maior parte do Saara Ocidental. Em Laayoune, milhares de saharauís pró‑marroquinos reuniram‑se para celebrar o evento, onde foram exibidas bandeiras marroquinas e declarações de apoio ao rei.

Contexto do conflito

O Saara Ocidental, antigo território espanhol, é a disputa territorial mais longa da África. Marrocos controla a maior parte da região, enquanto o Frente Polisário, apoiado pela Argélia, luta pela independência dos saharauís. A fronteira física inclui um muro de areia com posições militares e campos de minas, e há ainda um “free zone” a leste do muro, administrado pelo Polisário.

Fim da missão da ONU

O MINURSO, missão da ONU criada em 1991 para monitorizar o cessar‑fogo e organizar um referendo de autodeterminação, viu o seu mandato expirar a 31 de outubro de 2026. A partir de 1 de novembro, começou o período de liquidação, com uma equipa reduzida a cargo do Departamento de Apoio Operacional da ONU para repatriar equipamentos e pessoal.

A decisão de não renovar o mandato resultou de um impasse no Conselho de Segurança: os Estados‑Unidos propuseram uma resolução que favorecia a posição marroquina, mas a Rússia vetou o texto, enquanto uma proposta russa de extensão também foi rejeitada.

Reações

O palácio real marroquino saudou a não renovação, qualificando a missão de “instrumento de internacionalização do litígio”. O Frente Polisário, apoiado pela Argélia, considerou a decisão “inaceitável” e lamentou a perda de um mecanismo de monitorização. A secretaria‑geral da ONU, representada por Stéphane Dujarric, pediu a todas as partes que respeitem os direitos do povo saharaui e que mantenham a contenção de possíveis hostilidades.

Impactos e desafios

O encerramento do MINURSO deixa um vácuo de monitorização num território rico em minerais e recursos pesqueiros, o que pode intensificar as tensões entre Marrocos e a Argélia. O cessar‑fogo de 1991 permanece em vigor, mas o Frente Polisário abandonou o acordo em 2020, e pequenos confrontos continuam a ocorrer. O futuro do referendo de autodeterminação permanece incerto, já que as partes ainda discordam sobre quem deve integrar a lista de eleitores.

O que ainda não se sabe

Não está claro como a comunidade internacional reagirá ao fim da missão e se haverá novas iniciativas diplomáticas para substituir o papel de monitorização do MINURSO. Também não se conhece o plano concreto para garantir a segurança dos civis nas áreas fronteiriças nem como será resolvido o impasse sobre o referendo de autodeterminação.

FONTES

  1. [Africanews] Morocco marks anniversary of Western Sahara occupation as UN mission ends
  2. [France 24 África] UN’s peacekeeping mission in disputed Western Sahara ends after 35 years
  3. [Arab News] Morocco celebrates 51st anniversary of Western Sahara takeover as UN mission ends
  4. [Times of Israel] Morocco celebrates 51st anniversary of Western Sahara takeover as UN mission ends

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