Ativistas invadem local de construção de centro de dados da Microsoft em Amesterdão
Uma vaga de protestos na Europa contra a expansão da inteligência artificial culminou na ocupação da obra de uma infraestrutura multimilionária nos Países Baixos, com confrontos e detenções.
Um grupo de ativistas ocupou o local de construção de um grande centro de dados destinado à Microsoft no distrito de Westpoort, em Amesterdão. A ação envolveu a entrada forçada de protestantes no recinto após o corte de vedações, a escalada de gruas e a colocação de faixas com críticas ao impacto ambiental da inteligência artificial e aos serviços prestados pela empresa norte-americana a forças militares e governamentais.
A manifestação nos Países Baixos envolveu organizações como o coletivo local Geef Tegengas, a Extinction Rebellion e o grupo Fossielvrij NL. Paralelamente, decorreram mobilizações à escala europeia promovidas pela coligação “Stop Dirty Data Centres”, que integra entidades ambientais e de direitos digitais para exigir a suspensão temporária da construção destas grandes infraestruturas em vários países.
Motivações ambientais e políticas
Os contestatários alertam para a elevada pressão que as infraestruturas computacionais exercem sobre os recursos de energia e água, argumentando que o projeto compete com o espaço necessário para a habitação. A obra, avaliada em mais de mil milhões de euros, está a ser desenvolvida pela Pure Data Centres para ser integralmente alugada à Microsoft.
Críticos locais sustentam também que o projeto contorna a proibição nacional de centros de dados de grande escala por ser formalmente apresentado como três estruturas contíguas. Além das preocupações ecológicas, grupos de protesto criticaram o fornecimento de tecnologia cloud por parte da Microsoft às forças armadas de Israel e às autoridades de imigração dos Estados Unidos.
Intervenção policial e reação das empresas
Durante a ocupação, a polícia cercou o recinto. Após ordens para o encerramento da demonstração, a polícia de choque interveio recorrendo ao uso da força e de gás lacrimogéneo para retirar os manifestantes do espaço, gerando confrontos que causaram ferimentos ligeiros num agente da autoridade e resultaram em detenções.
Em resposta aos acontecimentos, tanto a Microsoft como a Pure Data Centres declararam respeitar o direito ao protesto pacífico, mas rejeitaram ações ilegais que ponham em risco a segurança e apearam ao diálogo. Por sua vez, responsáveis da União Europeia lembraram a necessidade de desenvolver capacidade própria em computação e inteligência artificial para manter a competitividade internacional, ressalvando contudo a importância de evitar aumentos excessivos nas faturas de eletricidade dos cidadãos ou danos ambientais.
O que ainda não se sabe
Não foi divulgado o número exato de pessoas detidas pelas forças policiais durante a desocupação do recinto em Amesterdão. Não existe igualmente confirmação independente sobre a estimativa apresentada pelos ativistas de que o complexo venha a consumir tanta eletricidade como o conjunto de todas as habitações da cidade. Permanece também incerto se o protesto e a vaga de ações na Europa levarão a alterações no calendário da obra ou a novas regras regulatórias sobre este tipo de infraestruturas.
FONTES
- [Al Jazeera] Protesters storm site of Microsoft’s planned Amsterdam data centre
- [Times of India] Climate activists storm Microsoft data centre site in Amsterdam, several arrested
- [Africanews] Netherlands: Protesters storm Amsterdam data centre construction site
- [Dawn] Activists breach Microsoft data centre construction site as protests spread in Europe
- [DutchNews] Activists occupy site of Microsoft data centre in Amsterdam
- [The Guardian] Activists break into building site of Microsoft datacentre in Amsterdam