EUROPA / TECNOLOGIA

Vaga de falsas ameaças de bomba perturba dezenas de voos na Europa

Vários aviões comerciais e órgãos de comunicação social europeus foram alvo de alertas falsos de bomba, desencadeando escoltas militares e inspeções de segurança.

Vaga de falsas ameaças de bomba perturba dezenas de voos na Europa
Imagem: Daily Maverick

Perturbações no espaço aéreo europeu

Ao longo desta semana, dezenas de voos comerciais em toda a Europa sofreram perturbações significativas devido a um surto invulgar de falsas ameaças de bomba. Os alertas afetaram ligações de companhias como a Ryanair, Wizz Air, Finnair, LOT e Aer Lingus, em aeroportos e espaços aéreos de países como França, Itália, Bulgária, Chéquia, Dinamarca, Espanha, Portugal, Irlanda, Roménia, Finlândia e Polónia. Em diversos casos, os aviões foram obrigados a efetuar aterragens de emergência ou a regressar à pista, enquanto noutros foram escoltados por caças militares de países como França, Bulgária e Hungria até aterrarem em segurança.

Para além da aviação, a vaga de ameaças estendeu-se a meios de comunicação social. Na Irlanda, as instalações da emissora pública RTÉ foram evacuadas após a receção de um alerta, e a rede britânica Sky News também confirmou ter sido visada por uma ameaça de segurança. Paralelamente, peritos assinalaram que estas perturbações coincidiram temporalmente com ataques informáticos que desligaram sistemas de refrigeração em supermercados de vários países europeus e afetaram bancos de sangue em França.

Suspeitas de guerra híbrida

Embora nenhum governo tenha confirmado quem está por trás dos incidentes, especialistas em segurança e responsáveis políticos apontam para a possibilidade de se tratar de uma campanha coordenada de ataques híbridos ou de guerra psicológica. Este tipo de ação procura perturbar serviços essenciais, causar prejuízos económicos, gerar inquietação pública e testar os procedimentos de resposta das forças de segurança.

Algumas das mensagens enviadas por correio eletrónico para aeroportos em Roma e Sófia vinham assinadas em nome de “combatentes do Estado Masculino”, um movimento antifeminista de extrema-direita criado na Rússia em 2016 e posteriormente proibido nesse país. No entanto, o fundador do grupo, Vladislav Pozdnyakov, usou a rede Telegram para negar qualquer envolvimento, assegurando que a organização já não existe e que terceiros estão a utilizar o nome para realizar provocações.

O que ainda não se sabe

Até ao momento, não se sabe quem são os autores ou os mandantes deste conjunto de falsas ameaças. Embora governos europeus tenham apontado anteriormente o dedo à Rússia e ao Irão em episódios de desestabilização híbrida, ambos os países negam as acusações e os investigadores sublinham que não existem provas concretas de envolvimento estatal ou de grupos terroristas específicos nestes casos recentes.

Também não se sabe se existe uma ligação direta e coordenada entre as falsas ameaças dirigidas aos aviões, os alertas aos órgãos de comunicação social e os recentes ataques informáticos contra os sistemas de refrigeração comerciais e serviços de saúde na Europa. As investigações das autoridades policiais e dos serviços de segurança prosseguem em vários países.

FONTES

  1. [Daily Maverick] New wave of bomb hoaxes hits dozens of flights across Europe
  2. [Novinite] New Bomb Threats Target Flights to Bulgaria and Across Europe
  3. [Tuoi Tre News] New wave of bomb hoaxes hits dozens of flights across Europe
  4. [Helsinki Times] Bomb threats target two Finnair flights from Helsinki
  5. [The Local SE] Who is behind the bomb hoaxes hitting flights across Europe?
  6. [The Guardian] Further bomb threats disrupt at least another 18 flights across Europe
  7. [The Hindu] Multiple flights in Europe diverted because of bomb threats
  8. [APA] Bomb threats targeting flights and media outlets continue across Europe

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