Crise bancária e política no Paraguai resulta na destituição e prisão domiciliária do presidente
O colapso de uma importante instituição financeira digital no Paraguai bloqueou as poupanças de milhões de cidadãos, desencadeando uma grave crise política que terminou com a destituição e a detenção domiciliária do presidente Santiago Peña.
O Paraguai enfrenta uma profunda crise política e económica na sequência do colapso abrupto do Ueno Bank, uma instituição financeira digital de rápido crescimento no país. A queda do banco levou a uma forte escassez de capital e à intervenção do banco central, bloqueando o acesso de cerca de metade da população e de três milhões de depositantes às suas poupanças, fundos de pensões e contas correntes.
A situação gerou protestos generalizados nas ruas, manifestações em frente ao Congresso e confrontos com as autoridades policiais. Perante a revolta popular e as acusações de má gestão, conflitos de interesses e branqueamento de responsabilidades, o parlamento avançou rapidamente com um processo de destituição contra o presidente Santiago Peña, que no passado tinha detido participações na empresa controladora da instituição financeira e cujos aliados nomearam figuras-chave para a supervisão regulatória.
Apesar de o governante ter tentado apresentar a sua demissão voluntária dias antes, o Senado rejeitou a renúncia para prosseguir com o julgamento político por mau desempenho das funções. A câmara alta acabou por aprovar a condenação com uma esmagadora maioria, destituindo formalmente o chefe de Estado e impedindo-o de aceder ao estatuto de senador vitalício e à respetiva imunidade legal. Logo após a votação, as autoridades judiciais ordenaram a captura de Peña, que foi colocado sob prisão domiciliária na sua residência em Assunção, aguardando interrogatório judicial por acusações como quebra de confiança, tráfico de influências e apropriação indébida de fundos públicos.
Com a saída do governante, o vice-presidente Pedro Alliana prestou juramento como novo presidente interino, assumindo a liderança do país até ao final do mandato em 2028 e prometendo compensações integrais aos cidadãos afetados pelo colapso financeiro.
O que ainda não se sabe
Não se sabe ao pormenor qual será o impacto financeiro total a longo prazo para os depositantes afetados, nem de que forma o novo executivo conseguirá garantir a devolução integral dos fundos prometida aos cidadãos. Desconhece-se também o desfecho exato das investigações criminais em curso sobre a extensão das responsabilidades políticas e regulatórias na insolvência do banco.
FONTES
- [Al Jazeera] Why is Paraguay facing a banking and political crisis?
- [ABC Austrália] Paraguay's president tangled up in Ueno banking crisis
- [The Hindu] Santiago Pena, Paraguay President, steps down as banking crisis sows chaos
- [Capital FM] Paraguay’s President Santiago Peña impeached and arrested
- [Nile Post] Paraguay President Santiago Peña resigns after bank collapse
- [Opinión] Detienen en su domicilio al presidente destituido de Paraguay Santiago Peña
- [Los Tiempos] Senado de Paraguay destituye al presidente Peña
- [Semana] La policía captura a Santiago Peña tras su destitución como presidente de Paraguay