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Líder de seita no Quénia condenado a duzentos anos de prisão por mortes em massa

O fundador de um grupo religioso no Quénia foi condenado a duzentos anos de prisão devido à morte de mais de uma centena de pessoas na sequência de jejuns extremos.

Líder de seita no Quénia condenado a duzentos anos de prisão por mortes em massa
Imagem: RFI Afrique

A justiça do Quénia aplicou uma pena de duzentos anos de prisão ao líder de uma seita responsável por uma das maiores tragédias ligadas a movimentos extremistas no país. O tribunal considerou o autoproclamado pastor culpado do homicídio de dezenas de crianças e de um adulto, cujos corpos foram descobertos em valas comuns numa zona florestal na costa queniana.

De acordo com a investigação e os testemunhos recolhidos durante o processo judicial, o movimento exigia que os seguidores se afastassem da sociedade, rejeitassem a medicina moderna e a instrução escolar, e adotassem uma prática de jejum severo com o objetivo de alcançar a morte e encontrar-se com Jesus. Os relatos indicam que a privação de alimentos seguiu uma hierarquia rigorosa, afetando primeiro os mais jovens, seguidos pelos adolescentes, pelas mulheres e, por fim, pelos homens.

O Ministério Público tinha solicitado a pena de morte para o principal responsável, mas a juíza responsável pelo caso rejeitou essa opção, argumentando que os membros da seita encaravam o fim da vida como uma libertação e que uma execução capital poderia ser interpretada como um triunfo pelos adeptos. Como o país mantém uma moratória sobre a pena de morte e não realiza execuções há várias décadas, a pena de prisão foi a medida aplicada.

Juntamente com o líder religioso, dezenas de coacusados foram igualmente punidos com penas de prisão de longa duração pela sua participação nos crimes. A defesa já manifestou a intenção de recorrer da decisão, apontando falhas no processo e a ausência de acesso a programas de reabilitação para o principal arguido.

O que ainda não se sabe

Não se sabe ao certo a identidade de todas as centenas de corpos descobertos nas buscas realizadas pelas autoridades, uma vez que o número total de vítimas mortais ultrapassa largamente o total contabilizado neste processo judicial específico. Também não se sabe se os recursos interpostos pela defesa produzirão alterações nas sentenças aplicadas aos condenados.

FONTES

  1. [RFI Afrique] Massacre de Shakahola au Kenya: le gourou de la secte condamné à «200 ans de prison» pour le meurtre de 191 personnes
  2. [Defimedia] Kenya : un chef de secte condamné à 200 ans de prison pour le meurtre de 190 enfants
  3. [Dakaractu] Kenya : le gourou d'une secte qui affamait ses fidèles condamné à 200 ans de prison
  4. [Le Monde Afrique] Au Kenya, le gourou qui encourageait ses disciples à mourir de faim pour « rencontrer Jésus » condamné à deux cents ans de prison
  5. [Seneweb] Afrique : le chef d’une secte apocalyptique condamné à 200 ans de prison

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