ÁSIA / GUIAS

Tensões entre EUA e Irão escalam com ataques e negociações em curso

Os Estados Unidos e o Irão envolvem-se numa espiral de ataques militares e negociações diplomáticas, com os EUA a afirmarem ter realizado 'ataques menores' no Irão e o Irão a alegar ter abatido drones americanos, enquanto mediadores como o Catar tentam evitar uma escalada maior.

Tensões entre EUA e Irão escalam com ataques e negociações em curso
Imagem: Al Jazeera

Os últimos dias foram marcados por uma série de ataques militares e esforços diplomáticos entre os Estados Unidos e o Irão, numa região já tensa devido ao conflito em curso. Segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, as forças americanas realizaram ataques ‘menores’ na ilha iraniana de Qeshm, no Estreito de Ormuz, uma área estratégica para o trânsito de petróleo. Trump afirmou que os ataques visaram um sistema de defesa aérea iraniano, que teria sido neutralizado em poucos minutos.

O Irão, por sua vez, respondeu alegando ter abatido dois drones americanos sobre Qeshm, segundo relatos das suas forças de defesa aérea e da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). As autoridades iranianas também afirmaram ter realizado operações defensivas, incluindo o abate de um drone MQ-9 dos EUA. Apesar das tensões, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) descreveu a situação como ‘relativamente calma’, sem fornecer mais detalhes.

Os ataques ocorrem num momento em que as negociações entre as duas potências parecem estar em andamento. Trump referiu que os EUA têm feito ‘progressos’ nas conversações com o Irão, embora não tenha dado detalhes. O Catar, que tem atuado como mediador, negou que as negociações tenham falhado, sublinhando que os esforços para evitar uma escalada continuam ativos. O primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, afirmou que as conversações estão em curso para conter a situação e evitar um conflito maior.

Apesar das tentativas de desescalada, Trump tem alternado entre ameaças de ações mais agressivas e sugestões de que uma resolução está próxima. Em declarações recentes, chegou a afirmar que os EUA poderiam ter de ‘destruir’ o resto do Irão, embora não tenha especificado um prazo ou plano concreto. Esta ambiguidade tem gerado preocupação na região, especialmente após os resultados das eleições de meio termo nos EUA, que refletiram um descontentamento com a gestão da guerra contra o Irão.

O Estreito de Ormuz, onde decorreram os ataques, é uma rota crítica para o transporte de petróleo, o que aumenta o risco de perturbações económicas globais. Além disso, os EUA ofereceram recentemente uma recompensa de até 20 milhões de dólares por informações sobre o programa nuclear iraniano, reforçando a pressão sobre Teerão.

O que ainda não se sabe

Não se conhecem os danos exatos causados pelos ataques, nem o número de vítimas ou perdas materiais em ambos os lados. Também não há clareza sobre o conteúdo das negociações em curso, nem sobre os termos que poderiam levar a um acordo. Além disso, não está claro se os ataques mais recentes representam uma escalada ou uma tentativa de conter a situação antes de uma possível resolução diplomática.

FONTES

  1. [Al Jazeera] Trump confirms new US strikes on Iran’s Qeshm Island
  2. [Jerusalem Post] Trump says US carried out 'minor strikes' on Iran’s Qeshm Island after explosions, aircraft heard
  3. [The Guardian] US carries out another round of ‘minor’ strikes on Iran, Trump says
  4. [Times of Israel] Trump says US launched ‘minor’ strikes on Iran targeting ‘a little bit of an anti-aircraft device’

RELACIONADOS